A Coreia do Sul anunciou uma nova licitação para aproximadamente 2.200 MW de energia eólica offshore para o segundo semestre de 2026 , o que elevará a capacidade total licitada durante o ano para 4.000 MW, consolidando uma das maiores apostas do país no desenvolvimento dessa tecnologia.
O edital de licitação, publicado em 30 de outubro pelo Ministério do Clima, Energia e Meio Ambiente, por meio da Agência de Energia da Coreia, contempla contratos de fornecimento de eletricidade a preço fixo e estabelece condições diferenciadas para projetos de energia eólica offshore com fundações fixas e flutuantes.
Dos 2.200 MW planejados, 1.700 MW correspondem a instalações com fundações fixas, enquanto outros 500 MW serão reservados para parques eólicos flutuantes, uma tecnologia que o Governo busca promover fortalecendo as capacidades industriais e de manufatura locais.
O novo concurso soma-se aos cerca de 1.800 MW solicitados durante o primeiro semestre do ano, elevando o volume anual a uma escala que, segundo as autoridades, é comparável à dos principais mercados internacionais de energia eólica offshore.
O anúncio também traz um sinal relevante para os desenvolvedores: a Coreia do Sul ampliará os volumes licitados, reduzindo os preços máximos dos contratos, com o objetivo de promover maior concorrência e diminuir gradualmente os custos de geração.
Como serão distribuídos os 2.200 MW do novo concurso?
O concurso está estruturado em três segmentos competitivos, concebidos para incorporar diferentes modelos de desenvolvimento e participação institucional.
O maior bloco corresponde a 1400 MW de energia eólica offshore com fundação fixa, no âmbito do regime geral, destinado a projetos que concorrem a contratos de preço fixo.
Este segmento será complementado por 300 MW reservados para projetos com participação pública, nos quais as instituições estatais devem manter uma participação mínima, com o objetivo de melhorar a execução das iniciativas, favorecer a aceitação das comunidades e promover a incorporação de fornecedores nacionais.
Por outro lado, os 500 MW destinados à energia eólica flutuante terão um processo de licitação separado. Este segmento visa consolidar uma cadeia de suprimentos especializada, aproveitando as capacidades da Coreia do Sul em manufatura industrial e construção naval.
A alocação é especialmente significativa porque a energia eólica flutuante permite o desenvolvimento de parques em áreas marítimas mais profundas, onde as fundações tradicionais podem apresentar maiores dificuldades técnicas e econômicas.
Redução dos preços máximos: qual o valor máximo que os projetos podem oferecer?
Uma das principais alterações neste concurso é a redução dos preços máximos permitidos para as propostas.
Para projetos com fundação fixa, o limite será de 168.937 won sul-coreanos por MWh, enquanto as iniciativas flutuantes terão um preço máximo de 174.003 won por MWh, tomando como referência a conexão à rede elétrica do continente.
Em ambos os casos, as autoridades também definiram valores ligeiramente inferiores para projetos ligados à rede elétrica na Ilha de Jeju.
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Em comparação com o primeiro semestre de 2026, esses preços representam uma redução de 1,34% para energia eólica com fundação fixa e de 0,63% para tecnologia flutuante.
O Governo explicou que os ajustes respondem à evolução esperada do custo nivelado da energia (LCOE), às variações cambiais e às condições de concorrência observadas no mercado.
Dessa forma, a estratégia visa gerar economias de escala por meio de maiores volumes de contratação, sem abandonar o objetivo de melhorar a competitividade econômica de projetos futuros.
Cadeia de suprimentos, redes e aceitação social: os fatores que definirão os prêmios
Além do componente econômico, a seleção dos projetos levará em consideração critérios relacionados à aceitação da comunidade, ao impacto industrial, ao desenvolvimento de fornecedores nacionais e às capacidades de operação e manutenção.
Aspectos relacionados à segurança e resiliência das instalações, bem como sua integração ao sistema elétrico, também serão considerados.
Essa abordagem busca garantir que a expansão da energia eólica offshore gere benefícios econômicos e industriais no país, especialmente por meio da incorporação de empresas locais na fabricação de componentes, construção de infraestrutura e prestação de serviços especializados.
Em paralelo, o Governo previu medidas para expandir as instalações de conexão elétrica compartilhada, fortalecer a infraestrutura portuária e marítima e facilitar os processos de licenciamento e financiamento.
Essas ações serão relevantes para transformar a capacidade contratada em projetos efetivamente construídos, especialmente em um segmento que exige grandes investimentos iniciais e complexa coordenação entre desenvolvedores, operadores de energia elétrica e autoridades.
O novo edital de convocação de candidaturas faz parte de uma estratégia de expansão mais ampla.
Em junho de 2026, as autoridades apresentaram um roteiro para licitações de energia eólica offshore para o período de 2026 a 2035, que prevê aproximadamente 55 GW de capacidade a serem licitados na próxima década.
O plano visa oferecer maior previsibilidade aos investidores por meio de licitações recorrentes de pelo menos 4 GW anualmente e avançar rumo a uma capacidade eólica offshore cumulativa de 25 GW até 2035. O governo também está considerando estender a duração dos contratos de preço fixo de 20 para 25 anos em futuras licitações, uma mudança que poderia facilitar o financiamento de projetos e prolongar os períodos de recuperação do investimento.
Quando serão anunciados os vencedores?
De acordo com o cronograma divulgado para esta segunda chamada, o período de inscrição decorrerá de 30 de outubro a 10 de dezembro de 2026, enquanto o anúncio dos vencedores deverá começar em dezembro.
O processo nos permitirá avaliar o interesse dos desenvolvedores nos novos blocos de capacidade, especialmente nos 500 MW reservados para energia eólica flutuante e projetos com fundações fixas e participação pública.
O histórico recente demonstra uma significativa atividade competitiva. Na primeira licitação de 2026, nove projetos, totalizando 3.656 MW, apresentaram propostas, e cinco iniciativas, totalizando 1.786 MW, foram selecionadas, de acordo com os resultados oficiais publicados em junho.









