A América Latina e o Caribe (ALC) iniciaram 2026 com uma forte recuperação na produção de energia elétrica. Em janeiro, a região gerou 171 TWh, representando um aumento de 9,6% em comparação com o mês anterior. Esse crescimento é atribuído principalmente à maior disponibilidade de recursos hídricos devido à flexibilização das restrições hidrológicas nos sistemas de energia regionais, de acordo com o último Relatório Mensal de Geração de Energia Elétrica da Organização Latino-Americana e do Caribe de Energia (OLACDE).
O relatório técnico confirma que a energia hidroelétrica continua sendo a espinha dorsal do fornecimento de energia regional, contribuindo com 44,5% da matriz energética. Esse desempenho otimizou a operação do parque gerador, substituindo parcialmente as usinas termelétricas, mais caras, e pressionando para baixo o custo marginal médio do sistema.
O papel estratégico do gás
Enquanto isso, as usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis mantiveram uma participação significativa de 31,3% do total. Dentro desse segmento, o gás natural consolidou sua posição como o principal player, com uma participação de 23,8% na região, reafirmando seu papel como o principal recurso flexível para cargas subsequentes, backup operacional e fornecimento de serviços auxiliares em ambientes com alta penetração de fontes de energia limpa variáveis.
A publicação da OLACDE também destaca a vulnerabilidade sazonal das energias renováveis. Em janeiro, a geração solar contraiu 30%, a geotérmica 36% e a eólica 11% em comparação com dezembro de 2025. Segundo os analistas da organização, essa tendência ressalta a necessidade urgente de tecnologias gerenciáveis no sistema elétrico que possam equilibrar com precisão a intermitência da rede.
Na comparação anual, o mercado regional de eletricidade apresentou um avanço mais moderado, com um aumento de 1,2% em relação a janeiro de 2025. A recuperação foi liderada pelo setor hidrelétrico, que contribuiu com mais 10,8 TWh, em contraste com a contração da energia solar, que registrou uma queda de 11,2 TWh no sistema.
Liderança em sustentabilidade global
O relatório da OLACDE coloca a América Latina e o Caribe na vanguarda da sustentabilidade: o índice regional de energia renovável fechou o primeiro mês do ano em 66%, impulsionado por 12 dos seus 27 países membros que superaram essa média. O Paraguai lidera a lista com uma matriz energética 100% limpa, seguido pela Costa Rica (97,8%), Uruguai (96,5%), Equador (91,6%), Belize (90,9%), Colômbia (88,7%), Brasil (88,5%) e Venezuela (87,7%).
Os dados de janeiro refletem um modelo energético cuja estabilidade depende cada vez mais da coexistência estratégica da energia hidroelétrica convencional, do fornecimento flexível de gás natural como reserva e da implantação de energias renováveis não convencionais. Essa sinergia é fundamental para garantir a segurança energética, a resiliência climática e a continuidade operacional durante essa transição energética.
